Con retração de mercado, vender para empresas é uma alternativa nos negócios online

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email
Share on print
comercio-eletronico
Empresas estão apostando no comércio eletrônico para melhorar resultados na crise. (Foto: Comercioeletronico.blog.br).

Quando o poder aquisitivo das famílias está em retração, cenário que vem se delineando com o avanço da crise econômica no País, o consumidor final pode não ser a melhor aposta dos empreendedores. Em momentos como este, vender para empresas, o tradicional business to business (B2B), pode ser uma alternativa, principalmente para negócios online.

Os números do segmento são animadores. A expectativa é de que em 2020 o mercado online B2B fature US$ 6,7 trilhões, o dobro do tamanho do mercado online B2C – com foco no consumidor final –, cuja perspectiva é alcançar U$ 3,2 trilhões em receita. Os dados são de pesquisa realizada pela consultoria Frost & Sullivan. Parte desse otimismo vem de gigantes como a chinesa Alibaba e a norte-americana Amazon, porém, o cenário no Brasil também parece promissor.

E o potencial de desenvolvimento desse mercado seduziu o norte-americano Joshua Kempf e o alemão Benedikt Voller a empreenderem no País com um negócio B2B. Aberta em 2012, a Gaveteiro, loja online de materiais para escritórios e peças para pequenas indústrias, hoje processa em média 30 mil itens por dia em um galpão que emprega mais de 90 funcionários.

O foco da dupla, agora, é intensificar o sistema de compras pelo celular e, assim, dobrar de tamanho até o fim do ano. “As empresas estão procurando cortar ainda mais custos. Para crescer, seguimos o caminho do que cada empresa compra, com o melhor preço e o melhor pós-venda. Não tem muito o que inventar”, explica Kempf.

O otimismo da dupla passa por oferecer ao cliente, em geral pequenas indústrias e pequenos e médios comércios, alternativas de fornecimento que incluam a possibilidade de manter listas de compras personalizadas e vendas com desconto para pessoas jurídicas. “Ninguém fazia ainda o que nos propusemos a fazer. Essa crise vai passar e quem conseguir crescer durante a turbulência sai na frente”, pontua Voller.

Nicho

Atender a indústria foi a alternativa encontrada pela empresária Mayura Okura para viabilizar a B2Blue, empresa de beneficiamento de resíduos sólidos. Quando o negócio foi pensado, em 2011, a empreendedora se deparou com o consumidor final ainda despreparado para o serviço oferecido e partir para o B2B fez com que ela atraísse aportes de seed money que somaram R$ 5 milhões.

A B2Blue, que faturou em 2015 R$ 3 milhões, quer crescer 20% até o final do ano diante da conscientização de que o lixo de algumas empresas pode ser usado como matéria-prima para outras. “Nós já atendemos uma empresa que gastava entre R$ 10 mil a R$ 30 mil por mês com destinação de resíduos e vende o mesmo subproduto por R$ 90 mil. Para pequenas e médias indústrias, esse caixa extra é um alento”, explica.

Retração

Conforme analisa Mayura Okura sobre o momento atual do País, a crise econômica impulsiona negócios que ofereçam para outras empresas reforço na receita. “Na retração, as empresas se propõem a inovar mais, querem enxergar fora da caixa. Como consequência, abrem muito mais as portas para propostas”, comenta a empreendedora.

Nessa esteira da inovação, o empresário Marcos Wettreich, cofundador do provedor iBest e de outros negócios da internet, lançou em fevereiro o MercadoPME, serviço que se propõe, além de vender materiais para empresas pela internet, a ser uma terceirização do e-commerce de pequenos e médios negócios que não possuem ainda comércio online. Com isso, o empreendedor pretende faturar até 2017 R$ 100 milhões.

“O B2B é muito grande. Todas as pessoas, quando compram insumos, compram de indústrias, que para produzir também precisam comprar de alguém”, analisa. “O que vemos hoje é uma curva crescente das possibilidades online e decrescente das offline”, comenta. (Do Estadão).