Pesquisador de MS monitora atividades de javalis em áreas próximas a lavouras

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email
Share on print

 

 

Com o objetivo de entender o comportamento dos javalis e como os mesmos fazem o uso do ambiente, o biólogo e bolsista da Embrapa Pantanal, Dr. Fernando Ibanez Martins, coordena desde 2014 o projeto “Atividade, Movimentação e Uso do Espaço por Javalis em Agroecossistemas de MS”.

O Projeto que tem o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul por meio da Fundect, em parceria com a Embrapa e CNPq, conta com a participação de biólogos, zootecnistas e médicos veterinários que através da pesquisa pretendem compreender aspectos da ecologia espacial dos javalis para auxiliar nas estratégias de controle da espécie.

M2E1L0-0R350B300
Em Rio Brilhante o dano causado pelos animais pode chegar a 30% em alguns talhões. (Foto: Divulgação).

O Javali é o ancestral do porco doméstico, ambos pertencem à mesma espécie (Sus scrofa). Foi a partir da domesticação dos javalis selvagens que o ser humano desenvolveu as linhagens de porcos domésticos. A distribuição original do javali abrange a Europa, Ásia e norte da África. Relatos indicam que os primeiros javalis puros chegaram ao Brasil através do Uruguai, invadindo o estado do Rio Grande do Sul após forte período de seca registrado no fim dos anos 80.

Outro fator que contribuiu para a disseminação no país foi a aquisição e transporte de javalis por pessoas que tentaram domesticar a espécie exótica, ação frustrada, pois o animal é agressivo e de difícil manejo.

Alguns animais que escaparam dos criadouros tornaram-se ferais e reproduziram com porcos domésticos, dando origem à linhagem híbrida conhecida como “javaporco”. Os javaporcos apresentam elevada capacidade reprodutiva, pois a genética do porco doméstico foi selecionada pelo homem para um alto desempenho reprodutivo. Cada fêmea reproduz em média duas vezes por ano e a ninhada chega a 12 filhotes.

Estas características reprodutivas associadas à elevada disponibilidade de alimento nas áreas agrícolas favorecem um alto crescimento populacional de javalis e javaporcos, problema de escala mundial que tem se transformado em uma grande dor de cabeça para os agricultores. Os animais formam grupos, que pode conter mais de uma dezena de indivíduos, e invadem as lavouras em busca de alimento.

No ano de 2007 o javali estava presente em sete municípios de Mato Grosso do Sul. Atualmente existem registros da espécie em 46 municípios. Trata-se de uma invasão rápida e de larga escala, sem precedentes na história do estado. Na região sul do MS, onde se concentra a pesquisa, existe grande número de lavouras de cana de açúcar, soja e milho safrinha; três dos alimentos preferidos destes animais.

De acordo com produtores rurais de Rio Brilhante, o dano causado pelos animais pode chegar a 30% em alguns talhões.

“Além dos fatores econômicos, o crescimento populacional dos javalis e javaporcos implica em danos ambientais e sanitários. Eles predam espécies nativas, destroem nascentes e podem transmitir doenças nocivas aos rebanhos do estado (dentre elas a peste suína clássica, febre aftosa e brucelose). Nosso estudo consiste em capturar os javalis e javaporcos através de armadilhas, instalar coleiras de GPS telemetria nos indivíduos e monitorá-los em campo.

A definição dos ambientes mais utilizados, das zonas de refúgio e de alimentação auxiliará nas ações de controle, indicando regiões de maior susceptibilidade dos animais. Ao final da pesquisa, os dados obtidos serão compartilhados com produtores e sindicatos rurais do sul do estado, com o objetivo de orientar a população local sobre as estratégias mais eficientes para captura de javalis e javaporcos”.

Vale lembrar que, devido aos riscos sanitários e ambientais, existe desde 2013 uma instrução normativa do Ibama regulamentando o abate de javalis e javaporcos para fins de controle. (Da Fundect).