O feijão do dia a dia continuará caro

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feijão
Para o economista Edisantos Amorim, o dólar e a tributação no mercado interno é quem ditarão os preços do feijão ao consumidor brasileiro. (Foto: Divulgação).

Dênes de Azevedo

 

O feijão nosso de cada dia pode continuar custando caro, mesmo com a redução da alíquota de importação a zero. No dia 23 de junho o presidente interino Michel Temer decidiu liberar a importação do grão num esforço para diminuir o preço do alimento, cuja alta acumula nos últimos dois meses 50% para o consumidor e impacta a inflação. Porém o dólar e a tributação no mercado interno devem frustrar a tentativa de baixa de preço.

Para o economista Edisantos Amorim, o dólar e a tributação no mercado interno é quem ditarão os preços do feijão ao consumidor brasileiro. A previsão é que os preços possam apresentar recuo somente em meados do último trimestre de 2016. “Existe, além do dólar, que hoje oscila, todo um tipo de pressão no mercado interno. É preciso rever a questão da tributação no país para o produto”, disse ao Agrolink, site especializado em mercado agropecuária.

A redução de 10% para zero da alíquota da Tarifa Externa Comum foi aprovada pela Camex (Câmara de Comércio Exterior), após pedido do ministro Blairo Maggi, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Para ele, com a alíquota zero para países fora do Mercosul, o Brasil vai ampliar as opções de importação do produto para aumentar a oferta no mercado interno e reduzir os preços.

Paraguai e Argentina já têm alíquota zero e, portanto, acesso livre ao mercado brasileiro. Porém os principais fornecedores de feijão do mundo são a China, EUA, Etiópia e Canadá. Além da Argentina e Paraguai o Brasil pretende importar também feijão da Bolívia neste primeiro momento. Também estuda um acordo com o México.

Segundo Blairo Maggi, o aumento no preço do feijão foi motivado por problemas climáticos, decorrentes do fenômeno El Niño, que ocasionaram a perda de praticamente toda a safra no Centro-Oeste e consequentemente queda na oferta, fazendo com que os preços subissem. Houve quebra também na safra do Rio Grande do Sul, maior produtor do país.

Mas, para o presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses), Marcelo Eduardo Luders, a falta de reajuste do preço mínimo e preço atraente de commodities como soja e milho, também prejudicaram o aumento da produção. Ele aponta que a seca atingiu também o segundo e terceiro estado que mais produzem feijão, que são Minas Gerais e Bahia. “O abastecimento do feijão só deve se regularizar no início de 2017”, afirma Marcelo.

Uma pesquisa feita no Indicador Econômico, montado com base nas cotações do Agrolink, mostra que até o dia 10 de maio o preço da saca do feijão pago ao produtor variava em torno de R$ 240 na Bahia, R$ 144,20 no Paraná, R$ 155,26 no Rio Grande do Sul e R$ 227,31 em São Paulo. Já no dia 30 de maio já era possível ver a alta, principalmente na Bahia, onde o preço da saca chegou a R$ 306,00.

Do dia 10 de junho em diante os preços dispararam. Isso fez com que os preços disparassem nos supermercados. O pacote de um quilo, que era vendido a R$ 5,50 chegou a ser comercializado a R$ 15, principalmente da variedade carioquinha. Hoje, o pacote mais barato é encontrado a R$ 12 nos supermercados. E a tendência é de não baixar já que os preços pagos ao produtor continuam em Ascenção. Nesta segunda-feira, dia 4, a saca do feijão era cotada a R$ 507,50(BA), R$ 197,80(PR), R$ 175,81(RS), R$ 181,67(SC) e R$ 420,11(SP).

Com isso, o feijão hoje é considerado um dos vilões da cesta básica e da inflação. Em Cuiabá, por exemplo, o feijão apresentou alta de 11,56% em maio, no comparativo com abril, de acordo com levantamento do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

feijao e arroz
Arroz com feijão está mais caro. Em Dourados pacote de um quilo do feijão não saiu por menos que R$ 12. (Foto: Divulgação).

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o preço do feijão subiu 33,49% no ano até maio e 41,62% em 12 meses. Outra pesquisa, da auditoria de varejo da GFK, que coleta dados em supermercados de 21 cidades do país, o feijão subiu 28%. Em todos os casos, os reajustes superam em muito da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com alta de 9,32% em 12 meses até maio.

De acordo com a consultoria GFK, em maio o feijão foi o alimento que registrou maior alta entre os alimentos básicos. A dificuldade que existe é que o alimento é de largo consumo, sobretudo entre os mais pobres, e praticamente é insubstituível. Em média, cada família brasileira consome cerca de 3 quilos de feijão por mês.

O feijão possui três safras no Brasil. A primeira tem colheita entre janeiro e abril. Segundo levantamento da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) foram colhidas na primeira safra 1,030 milhão de toneladas, queda de 9% ante as 1,131 milhão de toneladas do ciclo passado. Para a segunda safra a Conab aponta outra quebra, de 9,6%  na produção, ficando em 1,022 milhões de toneladas. Só para a terceira safra do grão é que há projeções de crescimento, de 2,4% no país, atingindo 873,3 mil toneladas.

 

(Com Agrolik, Reuters Brasil e Olhar Direto).