Agropecuária contribui para o maior saldo da balança comercial

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O Brasil obteve no mês passado o maior saldo comercial para um mês de fevereiro, desde 1989, quando se iniciou a série histórica, segundo divulgou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O país obteve um superávit de US$ 3,04 bilhões na balança comercial do mês. Somando-se ao resultado de janeiro, o Brasil já acumula, em 2016, um saldo de US$ 3,97 bilhões com seu comércio exterior, o melhor resultado para um primeiro bimestre desde 2007.

Os quinze principais produtos do setor trouxeram ao país US$ 5,41 bilhões no mês, 40,6% do total exportado pelo Brasil
Os quinze principais produtos do setor trouxeram ao país US$ 5,41 bilhões no mês, 40,6% do total exportado pelo Brasil

O recorde no saldo comercial do mês foi resultado do grande avanço nas exportações do país e pela, ainda maior, queda nas importações. Em fevereiro, o país vendeu ao exterior US$ 13,35 bilhões, valor 10,4% maior em comparação com o mesmo mês de 2015. Ao mesmo tempo, o país importou US$ 10,31 bilhões, 31,0% a menos que no segundo mês do ano passado. Devido a essa queda mais acentuada nas importações, a corrente de comércio de fevereiro somou US$ 23,65 bilhões, cifra 12,5% inferior à do mesmo mês do ano passado.

A agropecuária foi indispensável para esse resultado, destaca a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, (CNA). Os quinze principais produtos do setor trouxeram ao país US$ 5,41 bilhões no mês, 40,6% do total exportado pelo Brasil e 53,4% a mais que o valor das vendas externas desses mesmos produtos em fevereiro do ano passado. Além dos campeões de exportações, como o milho (US$ 892 milhões) e a soja em grãos (US$ 715 milhões), é interessante notar o crescimento da cadeia do açúcar e etanol.

Houve crescimento de 43,4% nas exportações de açúcar refinado (que atingiram US$ 142,0 milhões), 134,2% nas de açúcar em bruto (US$ 658,0 milhões) e 268,3% nas de etanol (US$ 151 milhões), em comparação com fevereiro do último ano. Esses números foram resultado da combinação entre a desvalorização do Real, que dá maior competitividade ao produto brasileiro, do crescimento nos preços internacionais de tais mercadorias e do aumento da demanda internacional por elas.

A recuperação nos preços de açúcar acontece após cinco anos de baixas cotações do produto, no mercado internacional, e ocorre graças à redução nas produções da Índia (5,7%, segundo o USDA), União Europeia (3,9%), China (3,8%), e Brasil (2,6%). Essas diminuições, causadas por fatores climáticos como o El Niño, pelo crescimento na demanda e por fatores conjunturais, causarão um déficit de 5 milhões de toneladas de açúcar no mercado internacional na safra 2015/2016, pressionando positivamente seus preços.

Segundo o Indicador Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ, os preços de açúcar refinado em Santos saíram de R$ 50,44/saca (US$ 17,53/saca), em 27 de fevereiro do ano passado, para R$ 78,94/saca (US$ 19,94/saca), em 26 de fevereiro deste ano.

Já no caso do etanol, três fatores do mercado internacional permitiram a valorização do produto. Além do fortalecimento do dólar frente ao real, que barateia o combustível brasileiro no mercado externo, novas regulamentações ambientais nos Estados Unidos definiram que, no decorrer de 2016, serão misturados 68,5 bilhões de litros de combustíveis renováveis à gasolina norte-americana. Ao lado disso, o crescimento na demanda da Coréia do Sul também contribuiu para ampliar as exportações brasileiras de etanol.

Dessa forma, os preços do etanol anidro (aquele que se mistura à gasolina) saltaram de R$ 1,43/litro (US$ 0,50/litro), em 27 de fevereiro de 2015, para R$ 2,10/litro (US$ 0,53/litro) em 26 de fevereiro deste ano. Já para o etanol hidratado (utilizado no abastecimento direto), os preços subiram de R$ 1,32/litro (US$ 0,46/litro), em 27 de fevereiro passado, para R$ 1,94/litro (US$ 0,49/litro) no último dia 26. Esses preços foram calculados pelo CEPEA/ESALQ, segundo os índices Semanal Etanol Hidratado Combustível e Semanal Etanol Anidro, e referem-se ao estado de São Paulo.

CNA