A genômica na rotina dos pecuaristas do Brasil

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Pesquisador Porto-Neto em palestra na 2 edição do REPGEN. (Foto: Dalízia Aguiar).
Pesquisador Porto-Neto em palestra na 2 edição do REPGEN. (Foto: Dalízia Aguiar).

O produtor de pecuária de corte Silvio Pires de Inocência (MS) utiliza touros melhoradores, transferência de embrião e inseminação artificial por tempo fixo (IATF) para aumentar a produtividade de seu rebanho. Na fazenda, o rebanho é comercial e o ciclo, completo. Assim como Pires outros tantos pecuaristas brasileiros combinam biotecnologias reprodutivas com genômica animal na rotina de suas propriedades rurais.

Isso é o que nota o pesquisador brasileiro Laércio Ribeiro Porto-Neto, há 11 anos atuando na CSIRO Agriculture & Food, entidade de pesquisa australiana, que divide essa aplicabilidade em baixa, média e alta tecnologia. A adoção de DEP (Diferença Esperada na Progênie) genômica com touros melhoradores ou com inseminação artificial (IA), por exemplo, é enquadrada como baixa.

“Um núcleo de touros melhoradores, genotipados, torna-se referência para um grupo de multiplicadores e, posteriormente, um rebanho comercial. Utilizando um animal melhorador você amplia o resultado. É simples, use o touro certo”. Para eficiência reprodutiva é possível intervir também na taxa de desmama e no peso do bezerro ao desmame na produção.

Como técnicas consideradas média estão o uso de DEP genômica com IATF ou com fertilização in vitro (FIV). Já a alta tecnologia envolve a edição genômica com clonagem ou com FIV. Segundo ele, a baixa e média têm alta penetração e melhoram o rebanho, estão próximas ou prontas para aplicação. As de alta têm baixa penetração e geram animais melhorados, com a grande maioria em desenvolvimento. “Sendo ainda preciso aperfeiçoar as técnicas, identificar as mutações causais uteis para o melhoramento animal. Precisamos saber exatamente e, assim, regulamentar”, afirma.

Porto-Neto reforça que para as condições brasileiras, com altos índices de inseminação por touro, animais a pasto, o melhoramento passa pela aplicação de baixas e médias e eficientes tecnologias. Ele sugere que o produtor observe o que está disponível e pondere a adequação (ou não) ao seu sistema produtivo e realidade.

A dica é seguida por Pires, que enxerga a genômica de alto nível ainda distante de seu cotidiano, mas altamente necessária para o futuro. Para o pecuarista, a adoção passa por ajustes em toda propriedade, “pois a expressão do potencial genético só será percebida se o ambiente estiver preparado para isso”. É o que ele busca e isso inclui capacitação. Pires participou da edição 2018 do Repgen – Reprodução e Genômica, em Campo Grande (MS), onde o cientista Porto-Neto palestrou.

Repgen
Uma das coordenadoras do evento, a geneticista da Embrapa Fabiane Siqueira comenta que o tema genômica este ano despertou mais interesse do público, em relação ao ano passado. A média de 120 participantes permaneceu durante os dois dias de evento. “A genômica é complexa, mas o interesse cresce à medida que os produtores partilham suas experiencias positivas com a tecnologia. Não tem necessidade de o produtor entender de estatística ou métodos, mas compreender o que é a ferramenta que escolheu, como usá-la (na prática) e qual o resultado”.

A equipe da Embrapa – Unidades Gado de Corte, Pecuária Sudeste, Gado de Leite e Recursos Genéticos e Biotecnologia está a preparar um projeto relacionado à edição gênica, assim como, uma possível parceria com a CSIRO Agriculture & Food, por meio de Porto-Neto. Siqueira ressalta que a genômica é uma ferramenta sem volta e os programas de melhoramento precisam inserir-se nesse contexto. Porto-Neto completa que somente com parceria e compartilhamento de dados se tem êxito.

 

Dalizia Montenario de Aguiar, Embrapa Gado de Corte