Produção de leite tem queda de 47% no Estado

Produção de leite tem queda de 47% no Estado

leiteDurante audiência pública realizada nesta segunda-feira (11) , na Assembleia Legislativa, para discutir os desafios da cadeia leite em Mato Grosso do Sul, o sindicato que representa o setor informou que a produção leiteira teve queda de 47% nos últimos cinco anos.

A  presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso do Sul (Silems), Milene Nantes, destacou dados do Radar Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) apontam que em 2018 eram 59 laticínios, que empregavam 835 trabalhadores formais diretos com salário médio de R$ 1.827, resultando em uma massa salarial anual de R$ 18 milhões.

“Apesar de os números tão significativos, a produção de leite recebido pelas indústrias laticínias de Mato Grosso do Sul vem diminuindo de forma expressiva, caindo de 197,560 milhões de litros em 2013 para 104,356 milhões de litros em 2018, uma redução de 47%”, lamentou a líder empresarial, destacando que a audiência pública, que teve como o tema “Desafios da Atividade Leiteira em Mato Grosso do Sul”, serviu para discutir os desafios e apontar as soluções para fomentar a atividade em Mato Grosso do Sul.

De acordo com a presidente do Silems, é necessário que haja uma união entre os elos da cadeia do leite, com uma aproximação entre indústria, produtor e governos municipal, estadual e federal. “A ideia é trazermos soluções para cadeia produtiva do leite e dar maior de visibilidade aos problemas. É necessário identificar quais são os principais gargalos, o que hoje faz com que o produtor desanime e produza menos, o que pode contribuir para crescimento da indústria. A produção só vem caindo. Então nosso grande medo é que um dia acabe esse leite. Se não começarmos a olhar e tentar solucionar as principais dificuldades, podemos ter o fim de uma cadeia muito importante em nosso Estado, que gera empregos, uma receita mensal para o produtor, além de ser um produto de consumo básico”, explicou Milene.

Entre os problemas que dificultam a sobrevivência da indústria estão a diminuição significativa do leite produzido nas propriedades rurais, a ausência de incentivos ao produtor rural, a falta de assistência técnica adequada, preços muitos baixos para o produto e alta tributação estadual. “Em Mato Grosso do Sul, temos impostos diferentes de outros Estados e essa diferenciação prejudica a competitividade local. Além disso, a energia elétrica que as indústrias pagam é muito cara e o consumo dos nossos produtos é pequeno”, explicou.

Segundo o superintendente da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Rogério Beretta, a pasta atua em casos pontuais e enumerou os benefícios concedidos à agropecuária do Estado. “A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) distribuiu, só no ano passado, 220 tratores, mil equipamentos e implementos, como carretas e calcalhadeiras, para dar suporte aos produtores. Temos um centro de pesquisa que está se equipando para fazer pesquisas na busca de tecnologias para o leite e o Governo do Estado tem trazido emendas, como por exemplo estamos equipando a unidade referência do leite na Universidade Estadual de Aquidauana. Agora, vamos emitir a portaria do Queijo Artesanal e do Selo Arte. É um conjunto de ações que o governo vem fazendo, mas o governo trabalha muito nas questões pontuais das demandas”, pontuou.

Para o produtor e vice-presidente do Núcleo dos Criadores de Girolando de Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto Zanenga, o setor precisa de incentivos fiscais e criação de cooperativas de laticínios, além de programas assistenciais para o pequeno e médio produtor direcionado a nutrição, sanitária e manejo. “O segmento leiteiro vem sofrendo há muito tempo com os preços praticados pelos laticínios. Precisamos fortalecer os produtores, que em sua maioria são pequenos produtores. Hoje, Mato Grosso do Sul ocupa o 10° lugar no ranking nacional de produção de leite. Produzimos 33 milhões de litros de leite, uma média 1,9 litros por vaca/dia. Isso pode ser facilmente revertido desde que tenha ações voltadas para o nosso setor”, contextualizou.