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IAC estuda cana que pode ser usada tanto para ração como em usinas

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, está realizando levantamento sobre o uso da cana-de-açúcar forrageira multifunções (a IACSP93-3046) para melhorar a qualidade dos alimentos dos rebanhos de gado.

Com dupla aptidão, essa cultivar desenvolvida pelo Instituto pode ser adotada para alimentação animal e também para produção de etanol e açúcar, incluindo o mascavo, rapadura e cachaça, atendendo as necessidades dos pequenos, médios e grandes produtores.

Essa variedade vem sendo utilizada pelos produtores de gado, em substituição à IAC86-2480, a primeira variedade desenvolvida especificamente para a finalidade forrageira para alimentar o rebanho.

A nova cultivar apresenta 58% de digestibilidade, apenas dois pontos percentuais a menos que a variedade IAC86-2480. “A IACSP93-3046 apresenta um ótimo resultado em relação a digestibilidade in vitro da matéria seca e 51% de fibra em detergente neutro (FDN), frente aos 60% de digestão por parte do animal e 48% de FDN apresentados pela cultivar IAC86-2480. As duas apresentam teores de sacarose acima de 15%, o que é desejável e, portanto, apresentam relação ao teor de polarização do caldo (FDN/Pol) em torno de 3,4”, explicou o pesquisador da Secretaria, que atua no IAC, Ivan Antonio dos Anjos.

De acordo com o pesquisador, se considerar o melhoramento genético convencional, como o mantido pelo Programa Cana do IAC, o resultado da cana-de-açúcar forrageira multifunções é considerado um sucesso no processo de seleção, porque foi desenvolvido um material com características bromatológicas e agroindustriais que compreendem as várias necessidades do setor e atendem à pecuária e ao setor sucroenergético.

Essa cana com dupla aptidão pode ser colhida por um período longo, que vai da segunda quinzena de maio até outubro, quando há escassez de pasto para o gado “A cultivar tem período ótimo de colheita crescente, ou seja, à medida que o período de colheita se estende, a cana fica mais rica em sacarose e o teor de FDN é reduzido, favorecendo a digestão da fração fibrosa e, consequentemente, o maior consumo do volumoso”, esclarece o pesquisador da Secretaria de Agricultura.

Para o Secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, o produtor precisa buscar alternativas para alimentar o seu gado durante a entressafra, quando o pasto seca, e a cana forrageira é uma alternativa fundamental para manter a produtividade. “A cana tem alta produção por hectare, é uma cultura de fácil manejo e é acessível tanto ao pequeno quanto ao grande produtor, mostrando-se como a melhor opção para a alimentação do gado”, disse.

Para Arnaldo Jardim, a estimativa é que, após a consolidação dos resultados do questionário, seja realizado um estudo, com o objetivo de esclarecer dúvidas que surgirem aprofundando algumas questões. “A finalidade da pesquisa é levantar o máximo de informações possível, fazer um estudo socioeconômico da produção de cana-de-açúcar forrageira e criar um canal de comunicação entre os produtores interessados em utilizar a tecnologia, especialmente os canavicultores, para esclarecer suas dúvidas, como orienta o governador Geraldo Alckmin”, afirmou.

Interessados em cana forrageira, como produtor rural, técnico, alunos e professores, podem acessar o questionário e colaborar com o levantamento. O questionário pode ser preenchido clicando neste link, até julho de 2016, quando está prevista a análise de dados.

A pesquisa é realizada em parceria com a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Jaú, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), e o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Extensão Universitária (Unicetex), da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP). (Da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo).