Base de dados do Guia Clima em Dourados completa 40 anos

Base de dados do Guia Clima em Dourados completa 40 anos
Em janeiro de 2001, a estação agrometeorológica de Dourados foi automatizada. Desde então, novos sensores estão sendo inseridos as estações agrometeorológicas da Embrapa Agropecuária Oeste com o objetivo de coletar novos dados. (Foto: Christiane Comas).

Em janeiro de 2001, a estação agrometeorológica de Dourados foi automatizada. Desde então, novos sensores estão sendo inseridos as estações agrometeorológicas da Embrapa Agropecuária Oeste com o objetivo de coletar novos dados. (Foto: Christiane Comas).

A base de dados do Guia Clima, serviço agrometeorológico da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), da cidade de Dourados, está completando 40 anos. Informações que contam com uma trajetória marcada por inovações e avanços tecnológicos, que trouxeram inúmeras mudanças em relação à forma de coleta, organização e disponibilização dos dados.

Atualmente, os dados agrometeorológicos monitorados pela Unidade estão disponíveis aos produtores rurais, imprensa, técnicos e profissionais e sociedade em geral, de forma gratuita, tanto por meio de consultas ao site, quanto por meio de aplicativo para celulares Android. O amplo banco de dados disponível no sistema Guia Clima reúne, de forma organizada, informações climáticas das cidades de Dourados, Rio Brilhante e Ivinhema.

O Guia Clima apresenta informações dos últimos 40 anos de Dourados, tais como: estatísticas relacionadas às condições meteorológicas (temperatura, umidade do ar etc.). Disponibiliza também, em tempo real, informações meteorológicas (médias, normais etc.) e alertas (baixa umidade do ar, ventos fortes, geadas etc.). Essas informações geram diversos produtos que, além de contribuir com a produção agropecuária, servem como fonte de referência ao público urbano interessado no assunto.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste e responsável pelo Guia Clima, Carlos Ricardo Fietz, conta que desde de 1º de janeiro de 2019 até o final de maio, foram realizados cerca de 27 mil acessos ao Guia Clima, oriundos de IPs diferentes, de várias regiões do Brasil e até de outros países, ou seja, com uma média diária de 180 acessos por dia.

O pesquisador destaca ainda que existe uma grande demanda crescente por informações relacionadas ao tempo, clima e produtos agrometeorológicos e explica que “as condições climáticas são extremamente importantes e determinantes para o crescimento econômico, desenvolvimento regional e para a sustentabilidade na agropecuária. O Guia Clima é um banco de dados agrometeorológicos, que apresenta informações regionalizadas, padronizadas e sistematizadas e isso pode contribuir com tomadas de decisão sobre plantio, manejo e colheita das culturas em geral, entre outros benefícios”, acrescenta.

Dentre os produtos do Guia Clima, os alertas meteorológicos publicados no site, são um dos destaques do serviço. “Os alertas são emitidos quando a região apresenta risco de ocorrência de geadas, ventos muito fortes, níveis baixos de umidade do ar e calor excessivo, expresso pela sensação térmica elevada, que podem causar danos à saúde humana. Também são divulgados avisos sobre a média mensal de chuva mensal e o acumulado do mês atual”, explica Fietz.

Outro destaque se refere ao uso de informações que servem para a elaboração de laudos meteorológicos que podem ser utilizados como fonte de referência para documentar sinistros causados por vendavais e/ou chuvas excessivas. “Utilizamos as informações divulgadas na imprensa, que geralmente citam o Guia Clima, para intermediar as negociações entre os segurados e as seguradoras”, explica o Corretor de Seguros, Ricardo Capilé Gnutzmann. Ele exemplifica contando que “recentemente, uma loja de celulares enfrentou dificuldades de destelhamento em função de um vendaval, que acabou inundando a loja e estragou vários equipamentos, na ocasião, utilizamos matérias divulgadas em jornais locais, cuja fonte era o Guia Clima, com a finalidade de comprovar essas intemperes”.

Outro resultado proporcionado pelo Guia Clima se refere ao fortalecimento do relacionamento institucional da Embrapa com a imprensa regional. Como os dados do Guia Clima estão disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana e com atualizações on-line a cada 15 minutos, são muito consultados pela imprensa para elaboração de matérias sobre o clima. A equipe de agrometeorologistas da Unidade também atua como uma fonte de referências disponível para os veículos de comunicação da região, ao longo de todo o ano, servindo como fonte de entrevistas periódicas relacionada aos principais eventos climáticos ocorridos na região.

A jornalista e diretora do site Portal Dourados, Andressa Lorenzetti enfatiza a importância desse trabalho desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, “as informações do Guia Clima são muito úteis para o nosso trabalho no dia a dia, pois é uma fonte confiável de informações sobre o tempo. Sempre consultamos quando fazemos uma reportagem relacionada ao assunto. Colabora com o nosso trabalho de noticiar quando há uma temporada de forte calor, uma frente fria ou chuva. Ajuda tanto os produtores rurais, quanto os moradores da cidade”.

Outro produto fornecido pelo Guia Clima é o cálculo do balanço hídrico, ou seja, a quantificação da umidade do solo em tempo real. “Essas informações podem ser utilizadas para subsidiar a tomada de decisões sobre a viabilidade de se realizar atividades agrícolas, tais como plantio, manejo e colheita, acrescenta o pesquisador.

O Guia Clima também fornece subsídios para elaboração do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e definição da época de semeadura mais favorável para as principais culturas da região sul de MS. “Os dados do Guia Clima já permitiram a definição das épocas de semeadura com menor risco climático para plantio das seguintes culturas: soja, milho safrinha, feijão, canola, sorgo sacarino e cana-de-açúcar”, explica Fietz.

Memória Embrapa – João Cezário Peres Gordin, trabalha na Embrapa há 40 anos e dedicou 25 anos de sua carreira profissional aos trabalhos executados na estação agrometeorológica da Unidade. Ele conta que nos anos 70 e 80, os dados agrometeorológicos eram coletados de forma manual e que naquela época, ele e mais dois colegas de trabalho, que hoje já estão aposentados, eram os observadores, pessoas responsáveis pela leitura diária dos dados, feita três vezes por dia, de forma ininterrupta. “Os dados eram anotados, passados a limpo para uma caderneta, posteriormente era elaborada a carta sinótica, para que os dados fossem finalmente enviados para Cuiabá. Naquela época tínhamos inclusive escala de plantões nos finais de semana e feriados para realizar a coleta manual de informações’, destaca Gordin.

Em janeiro de 2001, a estação agrometeorológica de Dourados foi automatizada. Desde então, novos sensores estão sendo inseridos as estações agrometeorológicas da Embrapa Agropecuária Oeste com o objetivo de coletar novos dados, tais como: radiação solar, coeficiente de cultivos, entre outros. “Atualmente, analisamos os dados coletados automaticamente a cada segundo, que são atualizados no Guia Clima a cada 15 minutos, para evitar que dados corrompidos sejam lançados no sistema e que tudo esteja funcionando adequadamente”, destaca ele.

 

Christiane Congro Comas, da Embrapa Agropecuária Oeste